Startups criadas para resolver problemas

Antes fechado a uma rede tradicional de fornecedores de serviços, o setor do aço está absorvendo mais inovações criadas por startups. “Houve uma maior abertura das indústrias a partir de 2014”, diz Liann Rodrigues dos Santos, analista técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG). “Os negócios já nascem para solucionar os problemas dos grandes fabricantes.” Para garantir um lugar ao sol neste mercado, os empreendedores também participam de concursos de soluções promovidos pelo segmento, além de programas de aceleração e de geração de contratos.

Fundada há dois anos, a Peerdustry Manufatura Compartilhada opera como uma loja on-line de fabricação de peças sob demanda para fábricas, usinas de aço e mineradoras. “As grandes companhias estavam sem fornecedores de peças usinadas para o funcionamento das plantas”, explica o fundador e CEO Bruno Diesel Gellert.

Na prática, a empresa recebe o desenho técnico ou a referência das peças, faz cotações com mais de 300 marcas que produzem os itens e, depois, entrega a encomenda ao cliente. “Digitalizamos todo o supply chain dos fornecedores de usinagem”, resume. Com sede em São Paulo, tem dez funcionários e clientes como a multinacional francesa do setor de construção Saint-Gobain e a fabricante de rodas Maxion Wheels, além de distribuidoras e processadoras de aço.

Sem revelar o faturamento, Gellert afirma que a startup cresce mais de 10% ao mês, por conta da maior adoção do modelo nos clientes atuais e a chegada de novos contratos. Para ganhar competitividade e ficar mais conhecida no mercado, participa de iniciativas de aceleração e de geração de negócios, como o Liga AutoTech, voltado ao setor automotivo, e o Fiemg Lab 4.0, que garante acesso a mais de 15 mil associados da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

Na carioca OptimaTech, sediada na incubadora de empresas do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o objetivo é desenvolver softwares para auxiliar a tomada de decisão nas áreas de operação e manutenção das indústrias. Comandada pelos sócios Thiago Feital, Rafael Soares e Maurício Câmara, opera desde 2015 e conquistou contas como a produtora de petróleo Repsol Sinopec do Brasil.

Este ano, foi aprovada na primeira etapa de uma chamada de inovação promovida pela produtora de aço Ternium, Sebrae e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A ideia é criar, junto com a equipe da fabricante, um sistema de monitoramento industrial. “O projeto está previsto para iniciar ainda em 2019”, diz Feital. O edital público permite contratos de até R$ 250 mil, pelo período de 12 meses, e abrange o desenvolvimento de softwares para etapas de produção como o alto-forno e a aciaria.

Além do edital da Ternium, a OptimaTech participou de sete processos seletivos de inovação e pesquisa nos últimos quatro anos. A lista inclui uma ação de inovação aberta da Vallourec, do setor siderúrgico, e um programa de apoio à inserção de pesquisadores nas empresas, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). “Queremos aperfeiçoar a solução atual e entrar em outros setores, como polímeros, bebidas e alimentos.”

Com sede em Joinville (SC) e uma equipe de dez funcionários, a Termica Solutions também aposta na expansão, inclusive para outros países. “Até 2020 queremos ter a primeira implantação nos Estados Unidos”, garante o CEO Cláudio Goldbach.

A empresa é um spin-off da Perfil Térmico, companhia brasileira do nicho de isolamento térmico industrial há 36 anos no mercado. É focada em soluções de internet das coisas (IoT), para permitir a conexão de equipamentos, como fornos, estufas e aquecedores, com operários e outras máquinas.

“Entre 2005 e 2012, fizemos vários projetos de engenharia em parceria com nossa ‘empresa-mãe'”, diz Goldbach. “Mas percebemos que o mercado precisava de melhores soluções para os seus problemas.” Conquistou clientes na área do aço, como a Granaço e a Acearia Frederico Missner (AFM), além de companhias nos segmentos de vidro (Schott) e bebidas (Ambev). Um dos contratos mais recentes, com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), inclui o monitoramento de oito fornos, com relatórios semanais sobre desempenho, eficiência energética e produtividade das unidades.

A Termica faturou R$ 1,5 milhão no ano passado e espera alcançar R$ 2,5 milhões em 2019. Em março, se transferiu para o Ágora Tech Park, parque tecnológico privado que acaba de ser inaugurado em Joinville.

Fonte Valor Econômico

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